Entrevista com o escritor amapaense Gabriel Yared

Por Caio Costa - Agência Moinho



Gabriel Yared (Foto: Arquivo Pessoal)

Gabriel Yared diz que a sociedade amapaense é um livro muito significante para ele. O escritor, de 20 anos, ama ficção científica, fantástica, horror e terror.

Nesta entrevista, Yared fala sobre sua vivência e obstáculos na literatura local e revela suas perspectivas para os próximos trabalhos.


Caio Costa - Como e quando resolveu a começar a escrever literatura? Gabriel Yared – Comecei a escrever literatura ali mesmo no tempo que comecei a ler, por volta dos 9 anos. O meu pai começou a insistir para que eu lesse mais livros e o primeiro que tenho recordação, que me marcou, foi “Alice No País das Maravilhas”. A partir de então, comecei a escrever histórias inspiradas no livro e fui treinando a minha escrita.


Caio Costa - Quais suas inspirações para escrever suas histórias? Gabriel Yared - Minha inspiração para escrever, apesar de eu escrever ficção, é realmente a realidade. Eu pego problemas sociais que existem. Eu trato muita da homofobia, da opressão de gênero e do racismo para compor as histórias, levando para o lado fantástico


Caio Costa - Em suas histórias, você procura relacionar vivências pessoais? Gabriel Yared - Eu costumo sim falar das minhas próprias vivências, das minhas histórias, não diretamente. Às vezes eu coloco algum acontecimento na vida dos personagens, dos meus protagonistas, mas às vezes isso é de uma forma bem sutil mesmo, pra não deixar escrachado que aquilo não é uma opinião minha.


Caio Costa - Foi difícil chegar até uma editora?

Gabriel Yared - Não foi tão difícil. Eu comecei como antologista na Cartola. A Cartola todo mês disponibiliza editais em que os autores de língua portuguesa podem enviar seus textos e contos de acordo com o edital, e foi com essa que comecei. Meu primeiro conto publicado e selecionado por esses editais, foi um que escrevi que se passa aqui no Amapá, num apocalipse pós-nuclear. Foi uma experiência bastante interessante.


Caio Costa - Você já tem quantas obras publicadas?

Gabriel Yared - Pela Cartola eu já tenho 4 contos selecionados, nem todos foram publicados, ainda acredito que só o primeiro, mas os outros estão por vir, muito em breve.


Caio Costa - Como é ser escritor no Amapá?

Gabriel Yared - Eu reconheço que aqui no Estado do Amapá não é tão fácil encontrar um meio editorial propicio. Muitos editores são mais gráficos, não tem o processo de pegar um texto, trabalhar nele e potencializar. Realmente o autor que quer, ele paga e o texto dele é publicado, sempre com toda qualidade. Muitos autores aqui recorrem a editores pagos, não de uma editora propriamente dito, isso é um pouco complicado, por que não tenho condições de pagar. Estou publicando livros em antologia, recorrendo a financiamento coletivo e com o edital da SECULT também tá sendo possível publicar o meu próximo livro.


Caio Costa - Fala um pouco sobre a Corvus.

Gabriel Yared - Eu estou bem animado. Fiquei bem feliz de ter fechado essa parceria com a Corvus. É meu primeiro romance, minha primeira narrativa longa que escrevo e é uma narrativa que fala sobre o Amapá, que tem formação histórica e cultural. A sociedade amapaense, hoje ainda, é um livro muito significante para mim. Eu sair pela Corvus, é uma experiência incrível, porque eles têm bastante cuidado com o meu texto, eles passam por leituras para se adequar, passam por edição e revisão. E a Corvus é importante porque eles têm um movimento muito significativo no nordeste brasileiro, de trazer a literatura nordestina em foco com escritores nordestinos protagonizando. Então, eu vejo a Corvus, nessa parceria, uma oportunidade de tornar a literatura amapaense, literatura nortista, mais acessível para o mercado nacional e quem sabe assim mais pessoas conhecem o Norte do Brasil.